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Museu Augusto Casagrande: um lugar para rememorar a história

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No dia 21 de maio de 1978 o jornal Tribuna Criciumense trazia em sua edição, na página 14, uma matéria falando da doação de um casarão, realizada pelo doutor Joacy Casagrande Paulo, para o Município, onde seria instalado um museu em memória aos imigrantes que colonizaram Criciúma. O casarão era a herança de Augusto Casagrande para seus netos e encontrava-se abandonado. "Após, restaurado em suas formas originais, deverá ser instalado no edifício ora doado o MUSEU MUNICIPAL HISTÓRICO E GEOGRÀFICO AUGUSTO CASAGRANDE, conforme a Lei 910, de 25 de julho de 1972", diz a notícia guardada e emoldurada pela senhora Henriqueta Meller Casagrande, de 93 anos, que é a única - entre noras e filhos do italiano, Augusto Casagrande - ainda viva.
De sorriso fácil, a mãe de quatro filhos (três mulheres e um homem), casou aos 18 anos com Defende Casagrande um dos 15 filhos do colonizador italiano. "Ela estava indo em um enterro e meu pai olhou para ela e se encantou ‘olha que moreninha', disse ele. Ela tinha 17 anos e assim eles começaram a namorar e casaram", ressalta a filha de dona Henriqueta, Veimar Casagrande Stopassoli. Após o casamento, Henriqueta viveu 15 dias no, até então, único prédio existente na cidade. "A dona Cecília Darós Casagrande, que era a minha sogra, ia antes do almoço, a pé, pegar as verduras em sua horta que ficava onde atualmente é o shopping Criciúma e então voltava e fazia polenta, macarrão, entre outras comidas. Às vezes o meu sogro caçava Bugios e Antas para alimentar a casa, também", conta Henriqueta.
Augusto Casagrande veio da Itália, conta Veimar, com seus pais ( Giuseppe e Augusta Casagrande) onde a mãe de Casagrande era ama de leite. "Ela não se adaptou muito ao país. Lá ela ganhava diversas regalias por ser ama-de-leite e saiu do conforto para chegar a uma terra onde só tinha mato. Eles brigavam às vezes com ela, porque ela ia diversas vezes ao dia pegar água do poço para tomar banho", ressalta Veimar. A família vinda da Itália se apossou das terras e começou a sua roça. "Seu Augusto tinha, também, uma olaria onde todos os filhos trabalhavam. Inclusive o casarão foi construído com os tijolos produzidos por eles, bem como praticamente todas as casas construídas naquela época, como a Casa Londres. Meu pai que levava os tijolos com carro de boi para o centro", ressalta.
Além da alvenaria e a roça, Augusto possuía diversas cabeças de gado e, também, outra fazenda em Tubarão. "Quando dava enchente eles saiam às pressas, de cavalo, para lá, atravessar os gados para a outra margem do rio onde havia um morro", lembra Henriqueta. Ela informa que seu Augusto tinha uma grande influência política. "O Hercílio Luz, quando vinha à Criciúma, trazia a sua família e ficava no prédio. Quando eles iam para Araranguá, a cavalo, meu sogro ia junto, inclusive uma vez levou um filho bebê de Hercílio", ressalta Henriqueta.
Veimar conta, também, que todos os domingos a família se reunia. "Os homens iam jogar bocha, comer um queijo e beber um vinho. Lembro que, também, na casa, havia um quadrado pequeno aberto no chão de cimento, onde eram armazenados os vinhos, embaixo da casa. Eles mandavam a gente buscar o vinho ali", afirma. O casal Henriqueta e Defende, mudou-se de Criciúma e foi viver em um sítio em Tubarão, onde permaneceram por sete anos. "O meu tio Chico foi lá a tubarão na nossa casa e disse para a gente: ‘ Se vocês quiserem progredir saiam daqui, aqui não chegará o progresso'. Então vendemos o sítio por 7.000 contos de réis e voltamos. Fiquei três meses com meu sogro, ai trouxemos três casinhas de madeira, onde alugamos duas e começamos, então, a alugar e construir casas para os mineiros que chegavam à época e abrimos duas ruas aqui", conta Henriqueta.
Sua filha explica que após a morte de Cecília, Augusto se mudou para a fazenda em Tubarão deixando o casarão fechado. "Às vezes algumas pessoas sem recursos financeiros ficavam na casa, mas quebravam tudo", afirma Veimar. Após a morte de Casagrande aos 96 anos a casa foi herdada por seus netos que repassaram para a criação do Museu, com a condição de homenagear seu avô dando o seu nome para o museu. "Ele era um velho muito forte, seu cabelo não chegou a ficar branco. Tinha um cabelão e tinha uma memória como poucos. Ele sentia muita saudade da Itália", afirma Veimar.
Ela ainda conta que todos os 15 filhos do casal nasceram nas mãos de Augusto. "Ele realizava todos os partos e, também, cortava os tecidos para que a Cecília costurasse a roupa das crianças. Também, há uma foto em que todas as crianças estão de chapéu, porque um dos meninos quando soube que o fotógrafo viria, cortou o cabelo totalmente errado, então seu Augusto pegou emprestados os chapéus", lembra.
Resgatando a história
A coordenadora do patrimônio histórico na Fundação Cultural de Criciúma (FCC), Lisiane Potrikus, e a coordenadora do museu, Antonia Bernardette Nazari Budni, estiveram, ontem (27), visitando e gravando um depoimento de dona Henriqueta e suas Filhas. "Temos que guardar esses fragmentos da história para que eles não se percam", afirma Antonia.
Para Lisiane, é importante resgatar e guardar a história do município. "Assim mostramos que o museu não é só um lugar onde existem objetos antigos. É um lugar para se rememorar a história, onde pesquisamos e buscamos guardar e levar essa história para todos", afirma. Lisiane ainda destaca que a FCC está desenvolvendo um novo projeto para o museu. "Está sendo feita uma readequação, higienização e levantamento dos objetos existentes aqui", afirma.
Antonia destaca que a intenção é realizar exposições temáticas. "Pretendemos, a partir de março, começar com a exposição ‘ Viagens e Bagagens' contando a história da vinda dos colonizadores e de seus planos", afirma. Lisiane completa dizendo que essa é uma forma de o museu estar em constante mudança. "Com essas exposições temáticas o museu não será, apenas, um lugar onde você conhecerá tudo em um dia, já que em cada época exposições diferentes irão estar no museu. Todas contando a história da colonização de Criciúma. O museu foi criado com este intuito", explica.
Visitação
O Museu Histórico e Geográfico Augusto Casagrande está aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas. "Ele é aberto ao público em geral. No período Letivo recebemos muitas escolas aqui, chegando a uma margem de 40 a 50 alunos por dia. Recebemos, também, a visita de alguns turistas", afirma Antonia.
Para escolas e grandes grupos as visitas devem ser agendadas pelo telefone 3445-8844. "Agendamos diversas visitas de escolas, é só ligar", destaca.
Diretoria Executiva de Comunicação

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