Criciúma busca conscientização para diminuir filas de espera na saúde
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Criciúma busca conscientização para diminuir filas de espera na saúde
Índice de pacientes que faltam às consultas em Criciúma chegou a 25% em março. Tolerável, segundo o Ministério da Saúde, é de até 10%
Data: 16/05/2018    Última Atualização: 16/05/2018    Texto: Vivian Sipriano    Foto: Divulgação/Decom    Categoria: Saúde  

Nos primeiros quatro meses de 2018, o número de faltantes a consultas marcadas em Criciúma chegou a mais de 7 mil casos. Só em março, houve 1.627 não comparecimentos, das 6.427 consultas agendadas. O índice de faltas alcançou 25%. O Ministério da Saúde aponta que o tolerável é até 10%.

Se houvesse comparecimento, esse número seria suficiente para zerar as filas na especialidade de Oftalmologia, por exemplo, uma das mais requisitadas. Segundo a secretária de Saúde, Francielle Gava, os dados mostram a necessidade de uma conscientização por parte da população.

“Precisamos trabalhar a responsabilidade das pessoas como cidadãos. Faltar à consulta prejudica a saúde não só do faltante, mas também da pessoa que está na fila esperando a sua vez”, salienta a secretária.

Segundo a secretária, o Sistema Único de Saúde (SUS) não permite a retirada do paciente por não comparecimento à consulta. “Essa medida é ilegal. A penalização encontrada é colocá-lo no fim da fila, ainda assim, os números não diminuem porque ele continua aguardando, constando na lista de espera”, explica.

“Mais do que uma questão governamental de gestão de saúde pública é uma questão de respeito com o próximo. Quando alguém deixa de comparecer a uma consulta pré-agendada, outro sai prejudicado. Isso é falta de respeito com o próximo, precisamos nos conscientizar sobre isso”, reforçou o prefeito Clésio Salvaro.

 

Índices de não comparecimento

Os relatórios da Secretaria de Saúde mostram que o perfil de faltosos é formado por pacientes com idade entre 18 e 40 anos. E os procedimentos mais recorrentes no não comparecimento são: Dermatologia (75,05%); Neurologia (55,19%); Oftalmologia (53,34%); Ortopedia (50,19%) e Endocrinologia (52%).

“As especialidades que mais somam faltosos são justamente aquelas onde a fila é maior. Não é uma coincidência. A população precisa entender que a falta de um atrasa a consulta do próximo. Esse processo só faz aumentar a fila”, esclarece a secretária.

Para agilizar o processo a Administração Municipal trabalha a possibilidade da realização de mutirões, além da criação de uma campanha de mídia, a fim de esclarecer e mostrar à população a importância de respeitar o agendamento comparecendo à consulta ou ao exame.

Nos casos em que o paciente sabe que não vai poder comparecer ou não necessitar mais daquele atendimento, por qualquer motivo, o pedido é para que ele comunique a unidade de saúde ou o agente de saúde do bairro, para que a vaga seja passada a outra pessoa, não ocasionando atrasos no processo.

 

Regulação e transparência na saúde

Para auxiliar o cidadão, foi implantado em novembro de 2017 o Sistema de Regulação em Saúde (Sisreg). A ferramenta do Sistema Único de Saúde (SUS) faz o gerenciamento das filas promovendo, através de um médico regulador, o princípio da equidade, ou seja, dar mais para quem precisa mais. A avaliação é feita a partir do critério da condição clínica, tornando públicas as filas, permitindo maior transparência da gestão para com o usuário do SUS.

Através do site www.listadeespera.saude.sc.gov.br é possível acessar o Portal da Transparência, desenvolvido para que o cidadão catarinense tenha acesso às informações sobre a sua posição e previsão de atendimento nas listas de espera por serviços de saúde.  

A pesquisa pode ser realizada informando o CPF ou o Cartão Nacional do SUS. As informações inseridas no sistema são atualizadas semanalmente, às segundas-feiras.

“As filas não são um problema exclusivo de Criciúma, é nacional e histórico, mas hoje as pessoas têm a oportunidade de saber. O motivo disso é que o governo aderiu a essa ferramenta que traz transparência. Ainda está em aprimoramento, mas algumas estimativas não condizem com a real situação do município”, finaliza a secretária.