Criciúma abre semana de luta anti-manicomial
Ações do Sistema da Saúde são em prol da humanização dos serviços mentais. Neste ano deverá ser implantado o Residencial Terapêutico
Quando se fala em saúde mental e atendimento psiquiátrico ainda lembra-se das torturas que ocorrem em manicômios. Esta não é a realidade dos serviços oferecidos em Criciúma, mas em diversas cidades do Brasil as pessoas são tratadas de forma desumana quando o quadro de depressão, psicose e diversos tipos de transtornos chegam a se agravar. Nesta Semana Nacional de Luta Anti-Manicomial, a Secretaria do Sistema da Saúde de Criciúma realiza algumas ações na cidade.
Nesta segunda-feira (14), às 18 horas, acontece no salão Ouro Negro, no Paço Municipal Marcos Rovaris o lançamento do jornal online Saúde Mental em Pauta. Conforme o coordenador da Saúde Mental do Município, Denilson Rodrigues Fonseca, o projeto foi desenvolvido pelos usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Por outro lado, haverá nesta semana uma discussão sobre a realidade e o que ainda precisa ser melhorado nos serviços locais. “Antes as pessoas eram mal tratadas quando tinham qualquer tipo de doença mental. Elas eram tratadas com desrespeito e de forma violenta. Ainda existe este tipo de prática nos manicômios e vamos lutar para trabalhar um novo modelo, como o que aplicamos nos CAPS”, salientouo coordenador.
Ele lembra que as ações vão além dos serviços prestados nos Centros. Na Casa de Saúde do Distrito de Rio Maina existem 24 internos, os quais estão há mais de dois anos no local. “Estes pacientes foram levados para a unidade e abandonados. Porém sabemos que um hospital não é lugar de moradia, mas sim de passagem”, alertou. Em 2011 o Ministério da Saúde aprovou um projeto do Governo de Criciúma para a implantação de um Residencial Terapêutico. “Nós contratamos uma pesquisadora que avaliou a vida dos pacientes do Rio Maina e os vínculos familiares. O residencial vai abrigar oito pessoas em uma casa. Lá eles passarão a noite monitorados e durante o dia participarão das atividades dos CAPS”, explicou.
O local será mantido pelo Ministério da Saúde e haverá o programa “De volta para casa”, com o benefício no valor de R$ 340 para gastos pessoais. “Ainda faltam algumas ações, mas a meta é que até o final do ano seja colocado em prática. Desta maneira eles vão viver em situações melhores e em comunidade”, detalhou Fonseca.O coordenador da saúde mental lembra que antes da existência dos CAPS as pessoas eram internadas sem passar por uma avaliação ou tratamento diferenciado. Hoje, com os CAPS 2, CAPS AD, CAPS 3 e CAPSi são atendidas 480 pessoas.
Na sexta-feira a programação será encerrada com um evento na Praça Nereu Ramos, durante todo o dia, para a integração de diversos segmentos. A abertura acontecerá às 9 horas e contará com a participação do projeto Somos Parte, mesa redonda sobre políticas públicas de saúde mental e apresentações artísticas e culturais. No período da tarde será realizada outra mesa redonda sobre álcool e drogas e às 16 horas o evento contará com o show de Teto Fernandes e outras bandas.
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